AS SETE CARTAS
Então, como a gente tinha dito, João vai receber a ordem de fazer sete cópias do livro de Apocalipse. Ele recebeu a visão, vai copiar sete vezes o livro e cada cópia vai mandar para uma igreja diferente. Para a igreja de Éfeso, a igreja de Esmirna, a igreja de Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
E cada uma dessas igrejas recebeu então uma mensagem específica de Jesus para aquela igreja, de acordo com a situação que aquela igreja estava vivendo. E a gente falou também domingo passado, já no outro domingo que teve aula, que Jesus trata com cada igreja individualmente.
Cada congregação tem algo para prestar contas a Jesus. Jesus deu uma responsabilidade àquele grupo ali de pregar o evangelho, de ser um sinal do seu reino naquele local. E Jesus cobra de cada igreja individualmente. Cada igreja tem a autoridade direta de Jesus governando ela.
E quando eu digo cada igreja, para a gente falar isso, a gente não está falando cada denominação — Batista, Presbiteriana, Assembleia, não. Mas denominação não, cada igreja. Aquele grupinho ali que está se reunindo todo domingo, toda quarta-feira, aquele grupo de discípulos de Jesus.
É uma igreja, e o cabeça daquela igreja não é o pastor, não é o bispo, não é o presidente do ministério, não. O cabeça daquele grupo ali é Jesus Cristo. Jesus diretamente governa aquele grupo ali pelo seu Espírito Santo.
Então cada grupo que se reúne em nome de Jesus tem que buscar em Jesus diretamente a direção para a vida dele, para o trabalho dele, para como ele... o que é que a gente tem que fazer no mundo. E, inclusive, quando a gente lê aqui no capítulo 2, versículo 1, vai falar da igreja de Éfeso daqui a pouco. Fala assim: "Ao anjo da igreja que está em Éfeso escreve..." (Apocalipse 2:1).
A gente tem que lembrar que a definição bíblica de igreja não é um local. A igreja está em Éfeso. Tem uma igreja que está em Éfeso. Se essa igreja se mudar de lugar, vai continuar sendo a mesma igreja, só que ela vai estar em outro lugar.
Então tem a igreja que está neste bairro, mas aí por algum motivo eles não podem mais se reunir onde eles estão, vão se mudar para outro bairro. As mesmas pessoas, é a mesma igreja. Aquela igreja não deixou de existir porque a igreja não é o local, a igreja é o grupo de pessoas. Então a igreja está em Éfeso, ela poderia estar em outro lugar, mas essa igreja que está em Éfeso recebeu essa instrução de Jesus.
É, a nossa doutrina de igreja tem que deixar isso bem claro, porque, pelo fato da gente construir o templo, construir um salão de culto, uma sede, um prédio, as pessoas pensam que o prédio é a igreja. Não, o prédio não é a igreja, somos nós. Enquanto nós somos um grupo que se reúne em nome de Jesus.
Se a gente aqui, o grupo da igreja, marca assim, ó: vamos lá para o shopping almoçar lá no restaurante. A gente vai lá, almoça, conversa, fala, conta um monte de piada e bota os assuntos em dia, se diverte, volta para casa. São as mesmas pessoas que são igreja, mas eles não foram ser igreja ali. Por que é que não foram ser igreja ali? Porque eles não fizeram a obra de Cristo.
A obra de Cristo é quando um grupo de pessoas, de discípulos de Jesus, se reúne em nome de Jesus para fazer a obra de Jesus. Então, da mesma forma, se a gente ali, ali na calçada da rua, a gente fizer uma oração, aí tá sendo igreja ali, ali na calçada.
Se a gente tá conversando na rua e conversa sobre os assuntos do Reino de Deus, a gente tá sendo igreja naquele momento que está conversando sobre assuntos do Reino de Deus, porque a questão é o propósito do grupo estar reunido. Jesus falou: "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20).
Então, mas isso tem a ver com o propósito da reunião. A reunião tem que ser em nome de Jesus para fazer a obra de Jesus, dentro da palavra. O assunto é a palavra. Está reunido para meditar na palavra ou para pregar a palavra. Para ensinar a palavra, para aprender a palavra, para compartilhar a palavra, aí é a igreja.
Se pessoas se reúnem num local e não fazem nada que tenha a ver com a palavra de Deus, não tem nada a ver com o evangelho, nada a ver com Jesus, eles não estão sendo igreja naquele momento, mesmo que sejam as mesmas pessoas. As pessoas são membros de uma igreja, mas, se não estão fazendo a obra de Cristo, não estão sendo igreja naquele momento.
Bom, todas as sete cartas, elas têm a mesma estrutura. Jesus fala o que ele é primeiro. E muitas coisas que Jesus fala nas sete cartas, ele já falou lá no capítulo 1. Algumas coisas estão repetidas, que você viu na descrição de Jesus no capítulo 1 de Apocalipse, voltam aqui no começo de cada carta.
Então Jesus fala quem ele é. Quem é que está falando? É Jesus. E quem Jesus é? Fala os atributos dele. E aí ele fala elogios para cada igreja, o que a igreja está fazendo de certo, e fala repreensões, o que a igreja está fazendo de errado.
Todas as igrejas têm coisas boas e coisas ruins. Tem só uma lá, a de Filadélfia, que ele não citou nada ruim. Mas isso nos mostra já que essa questão da imperfeição das igrejas já era uma realidade. Aí tem pessoas que falam assim: ah, a igreja primitiva era boa. Não, aqui era cheia de defeito.
Todas as igrejas têm defeito. Cristo falando: vocês fizeram errado nisso, nisso e nisso. Para cada igreja aqui tem os defeitos delas. Então nunca existiu igreja perfeita, nem a Igreja dos Apóstolos lá em Jerusalém era perfeita. Não teve problema lá? Ananias e Safira, teve problema. Teve problema lá que eles distribuíram a cesta básica, estavam com injustiça, distribuindo desigualmente, de forma desigual. Por isso que tiveram que criar o cargo dos diáconos para organizar a distribuição de alimentos.
Então não existe igreja perfeita, nem a igreja primitiva era perfeita. Então as igrejas que estão aqui estão com seus defeitos, têm as coisas que elas fazem certo e as coisas que elas fazem errado. Mas ela tem que olhar para Jesus e perguntar a Jesus o que é que tem que mudar, o que é que está fazendo certo que pode continuar.
O Espírito Santo vai conduzir cada igreja nisso aí, vai estar confirmando as obras de cada igreja e vai estar também repreendendo as obras erradas de cada igreja. O que ele faz é o que ele fez com essas igrejas, a gente tem que entender que ele faz hoje, porque não vai estar escrito na Bíblia o que Jesus quer que essa igreja faça especificamente. Se é para criar um programa tal, se é para fazer um evangelismo na rua, se é para fazer o discipulado, se é para fazer culto nos lares.
A estratégia de hoje do trabalho, a igreja tem que buscar pelo Espírito Santo a orientação, porque não vai estar escrito o detalhamento para todas as igrejas do mundo inteiro, de todos os tempos. Teve essas sete igrejas aqui que receberam uma palavra direta de Jesus como exemplo para nós entendermos esse princípio, que Jesus ainda governa as igrejas.
E aí ele faz isso, fala as coisas certas e erradas que as igrejas fizeram, e no final ele tem uma promessa para os que forem fiéis. Ele fala quem ele é, que ele é o Senhor de tudo, e que ele vai dar recompensas, galardões aos que forem fiéis, aos que obedecerem à palavra dele. Tudo isso ele fala para todas as igrejas.
Todas as igrejas têm que olhar para Jesus, quem Jesus é, receber orientação dele sobre o que que tá certo, o que que tá errado naquela igreja, e olhar para o futuro, para a recompensa do mundo futuro, que são os galardões que ele vai dar para aquela igreja. Só que a gente tem que entender que o galardão é na glória, galardão não é aqui.
Não fala lá em 1 Coríntios 15: "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens" (1 Coríntios 15:19)? O galardão é na glória, no novo céu e nova terra. Tanto é que tem igrejas aqui que estão sendo perseguidas, tem pessoas que estavam morrendo nessa igreja, em algumas igrejas daqui que a gente está lendo. Algumas pessoas iam ser presas, tá escrito aqui, a gente acabou de ler.
E se eu ficar olhando só para o terreno, poxa, eu fui fiel a Cristo e eu fui preso injustamente, não fiz nada de errado, tô aqui na prisão. Só porque eu sirvo a Jesus Cristo, Jesus não tá vendo essa injustiça? Entendeu? A pessoa podia se questionar assim, se ela olhasse só para o plano terreno, mas tem que olhar para o futuro.
O futuro é lá na glória, é lá quando Jesus voltar, criar um novo céu na terra, que a gente vai ter o nosso galardão. Aqui nesse mundo, Jesus inclusive falou o seguinte: "Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós" (João 15:20). "Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?" (Mateus 10:25).
Então, o mundo rejeitou Jesus, o mundo perseguiu Jesus, o mundo caluniou Jesus, prendeu Jesus, matou Jesus, e Jesus era perfeito, Jesus não tinha defeito, Jesus não fez nada de errado, nunca cometeu nenhum crime; mesmo assim, as pessoas o perseguiram. Quanto mais nós, que temos nossos defeitos, que podemos fazer coisas erradas, aí que as pessoas vão perseguir a gente mesmo quando a gente falar a palavra de Cristo.
Porque o problema, inclusive vai aparecer aqui no livro de Apocalipse, lá no capítulo 12, o problema é quem está por trás da perseguição. Aqui também fala: "O diabo lançará alguns de vós na prisão" (Apocalipse 2:10). Aqui também tem uma igreja que ele fala isso: Satanás vai colocar vocês na prisão.
Quer dizer, o diabo, ele tem raiva do evangelho, ele não quer que as pessoas sejam salvas. Então quando aparece alguém pregando o evangelho, ele vai lá e inventa uma perseguição, levanta alguém para perseguir as pessoas que servem a Cristo, certo?
ÉFESO
Quando chega na primeira igreja, Igreja de Éfeso, a gente, olhando tudo que é dito aqui, a gente pode resumir que era uma igreja forte na doutrina, mas era fraca no amor. Tem igreja assim hoje? Tem um monte, tem um monte de igreja em que a doutrina lá... a pessoa faz um estudo bíblico lá detalhado, vai lá no hebraico, vai lá no grego e fala: ó, isso aqui significa isso, blá blá blá blá blá, nossa, que explicação boa e tal.
Só que aí na prática do amor as pessoas não praticam. Tá cheio de igreja igual à igreja de Éfeso hoje. Ele disse que eles colocaram à prova os falsos apóstolos e os reprovaram. Isso é uma coisa que ele está elogiando. Não, está tudo bem, com certeza, isso foi uma coisa boa que vocês fizeram.
Tinha pessoas se dizendo apóstolos, mas não eram mais. Até porque apóstolo tinha que ser alguém que conviveu com Jesus ou que viu Jesus ressuscitado. E, tendo visto Jesus ressuscitado, o próprio Jesus o enviou como missionário. Isso é um apóstolo. É um ministério que existiu naquela época para ser o fundamento da igreja, como diz lá em Efésios 2:20: "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas".
Agora, uma vez que o fundamento está terminando de ser colocado, não deviam existir mais novos apóstolos. Já foi colocado o fundamento. Jesus já apresentou o que é a doutrina para os apóstolos. Os apóstolos já transmitiram a doutrina para a igreja. A gente está aqui no finalzinho da revelação com João, último livro, está fechando a porta, acabou, está acabando a revelação.
Aí chega uma pessoa nova dizendo: eu sou apóstolo também. Ou seja, ela queria... naquela igreja de Éfeso apareceram as pessoas lá dizendo que eram apóstolos também. Ou seja, a pessoa querendo mandar na igreja, né? Ele queria ter uma autoridade especial para todo mundo admirar ele. Ah, ele é apóstolo e tal.
Eles falam: não, vocês não são não, os apóstolos já foram, os apóstolos já estão sendo martirizados, está todo mundo morrendo, está ficando só o João, entendeu? Essa parte acabou. Vocês não são apóstolos, vocês não viram Jesus ressuscitado, Jesus não enviou vocês diretamente. Fazer o quê, não são apóstolos.
Lá em Tito capítulo 1 ele fala assim, ó: Tito, tem pessoas aí pregando heresia, você tem que calar a boca deles ("Aos quais convém tapar a boca" - Tito 1:11). O que que é isso? Não é que ele vai impedir a pessoa de falar o que a pessoa quiser, mas dentro da igreja ela não pode permitir a um mestre ensinar erro, o erro doutrinário.
Ele não pode ter esse ministério liberado se ele está ensinando o erro. Então Paulo mandou Tito travar ali, cancelar, suspender o ministério das pessoas que estavam ensinando errado naquela igreja. Então assim Éfeso fez também, rejeitou esses falsos apóstolos e por isso ela é elogiada por Jesus.
Só que aí Jesus fala, e é até o trecho mais famoso dessas cartas, no versículo 4: "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras" (Apocalipse 2:4-5). Quer dizer, no começo aquela igreja tinha esse grande amor, entusiasmo pelo Evangelho de Cristo.
Inclusive, a gente pode ler a história dessa igreja de Éfeso lá no livro de Atos, capítulo 19, que mostra quando Paulo chegou lá, evangelizou, e houve um grande avivamento naquela cidade de Éfeso, ao ponto de que as pessoas que praticavam magias estavam entregando os livros para serem queimados, estavam abandonando seus ídolos.
E estava tendo uma revolução tão grande na cidade que as pessoas que construíam ídolos, construíam as estátuas, começaram a ter prejuízo. Não, ninguém mais compra nossas estátuas, com esse pessoal aí que está pregando que as estátuas não são deuses. Agora está dando prejuízo. Eles processaram o pessoal lá de Éfeso, os cristãos de Éfeso, porque estavam causando prejuízo aos fabricantes de estátuas.
Então houve um grande avivamento naquela cidade. Esse era o primeiro amor de que Jesus está falando, que eles perderam quando passaram-se alguns anos, na época em que João escreve aqui Apocalipse, eles perderam esse primeiro amor. E inclusive a igreja de Éfeso, ela foi servida por, assim, por um firme fundamento. Paulo trabalhou naquela igreja, Timóteo trabalhou naquela igreja, e o próprio apóstolo João trabalhou naquela igreja.
Então ela estava firmada, não tinha desculpa para eles esfriarem, né? Mas eles esfriaram porque na balança das coisas eles focaram muito na doutrina. Ó, doutrina, vamos firmar aqui, ninguém pode ensinar nenhum erro, ninguém pode ensinar doutrinas erradas. Quem estiver ensinando, a gente tira do ministério.
Eles estavam ali zelosos com a doutrina, só que aí o amor na prática estava enfraquecendo. "Tenho contra ti que perdeste o teu primeiro amor". Então você tem que olhar onde foi que vocês caíram, onde foi no caminho da igreja que vocês passaram a ter menos amor uns pelos outros. Nesse momento em que eles optaram por colocar ênfase só na doutrina, doutrina, conhecimento, conhecimento, e aí a prática do amor ficou negligenciada.
Inclusive lá em 1 Coríntios 8 fala isso: "A ciência incha, mas o amor edifica" (1 Coríntios 8:1). Conhecimento incha quer dizer o quê? Que a pessoa fica orgulhosa. Ah, eu conheço tudo, eu conheço a teologia, conheço a doutrina. Se torna uma pessoa orgulhosa. E aí no que ela se torna orgulhosa, ela vai se tornando menos amorosa, ela pensa menos no próximo, né, pensa menos no outro que tá necessitado de ajuda, ou nas almas perdidas que precisam ser evangelizadas, né? Porque tá aí focando só em doutrina, doutrina, doutrina, conhecimento.
E aí ele fala: olha só onde você caiu, e volta atrás, volta atrás, né? Qualquer coisa, qualquer coisa, mesmo que seja boa, se ela for sem equilíbrio, é ruim. Então, ser zeloso pela doutrina é bom. Era bom, foi uma coisa boa que eles fizeram, mas sem equilíbrio se tornou ruim, porque eles na prática do amor não praticavam.
Então isso aí é a palavra de Jesus para a igreja de Éfeso e para as igrejas de hoje que são assim, porque tem igrejas hoje que é só doutrina, doutrina, doutrina, conhecimento, conhecimento, conhecimento, mas a prática do amor não praticam. Volta ao primeiro amor, Jesus está falando para as igrejas de Éfeso. De ontem e de hoje, né? Para a igreja que cair por esse erro de Éfeso aí, de querer só saber de doutrina e não querer saber da prática do amor.
O mundo não se interessa [pela doutrina] enquanto ele não for convertido. Esse negócio de você conhecer muito da Bíblia, não tô nem aí, é problema seu. Agora, o que faz a diferença, que vai despertar o interesse da pessoa, é saber que você é uma pessoa amorosa com os outros, que você trata bem as pessoas, que você dá um bom testemunho no mundo, seu modo de falar, seu modo de agir, seu modo de tratar as pessoas, seu modo de ver os necessitados, de ver as pessoas que precisam de ajuda, de você ser uma pessoa disposta a ajudar.
Isso aí que desperta o testemunho de "mas esse cara aqui é diferente". Não é pelo seu conhecimento, porque o seu conhecimento quem é do mundo não quer saber, não quer nem saber. Você fala, ah, você sabia a doutrina de sei lá o quê? Não quer saber disso aí não. Agora, se ele vê a diferença na prática, na vida, aí realmente, aí ele vai ser despertado, né? Você é diferente, né? Por que você é diferente? Ah, porque eu sirvo a Jesus. Jesus faz isso, a pessoa faz isso com a pessoa, aí ela começa a se interessar por Jesus.
A obra de Deus vai muito mais além do que a programação da igreja. A programação da igreja faz parte da obra de Deus, mas a obra de Deus na sua vida, ela inclui também o modo como você age no mundo fora da igreja, como você age na sua família, na sua vizinhança, no seu trabalho, com as pessoas que estão em volta de você, os seus amigos.
O modo como você age ali, ali também tem uma obra de Deus acontecendo, porque Deus vai usar o cristão como uma luz ali. Ele tem que ser uma luz do evangelho, uma luz de Cristo, demonstrando o caráter de Cristo, que é isso que desperta nas pessoas o interesse por Jesus Cristo, né? Saber que ele conhece um cristão de verdade que se comporta como Cristo se comportaria.
Aí isso chama a atenção das pessoas, né? E aí isso que é o testemunho, né? Isso que é o testemunho. Você chegar para a pessoa lá cheia de teoria de Bíblia, a pessoa não se interessa, né? Agora, se ela vê uma vida diferente, comportamento diferente, a pessoa se interessa, sim.
ESMIRNA
Próxima igreja, a igreja de Esmirna. No resumo que a gente vê do que está dito aqui sobre a igreja de Esmirna, é que é uma igreja pobre, uma igreja pobre e perseguida. No versículo 9 fala: "Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza" (Apocalipse 2:9).
Aí no 10 fala: "Nada temas das coisas que hás de padecer". No final do 10 fala: "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Apocalipse 2:10). Então, Esmirna é aquela igreja que não tem recurso nenhum e ainda é perseguida. As igrejas de Esmirna, no dia de hoje, são as igrejas perseguidas, igrejas que estão em locais que é proibido, é proibido ser cristão ali, ser cristão é ilegal para a sociedade.
Tem algum tipo de proibição, ou proibição oficial nas leis do país, ou uma perseguição de repressão, né, que todo mundo é de outra religião e a minoria ali que se torna cristã vai sendo assediada, perseguida, maltratada por aqueles de outras religiões.
Falou aqui a "blasfêmia dos que se dizem judeus, e não são" (Apocalipse 2:9). Ou seja, além de você tá sendo perseguido, essa perseguição, ela se transforma numa coisa cruel da blasfêmia. O que é que é isso? É a calúnia. Não basta dizer assim: ah, ele é cristão. Por quê? Porque muitas vezes o que tá perseguindo o cristão começa a inventar coisas que ele não fez, acusações falsas.
Para tentar botar a pessoa ali na cadeia, para tentar fazer a pessoa ser malvista pelos outros. Então eles inventam acusações falsas. Inclusive tem gente que fica assim romantizando: ah, se eu fosse perseguido e tal, ser perseguido ia ser bom. Não, não tem nada de bom. Ser perseguido é uma coisa terrível e você não quer isso para você nem para a sua família.
Tem esse negócio de ficar romantizando perseguição. Não, perseguição é uma coisa terrível. Imagina você ser acusado de coisas que você não fez. Ah, fulano de tal roubou, matou sei lá o quê, violentou não sei quem. Inventam histórias sobre os cristãos para poder perseguir eles, botar eles na cadeia, para poder matar os cristãos. Eles inventam coisas que os cristãos não fizeram. Inventam mentiras.
Então assim, perseguição é uma coisa extrema. E aí Jesus tem que falar para eles: ser fiel até a morte. Porque qual é a tendência? Se você está sendo ameaçado a perder tudo o que você tem, perder seu emprego, perder seus bens, perder sua família, ser morto, ser preso... a tentação de você negar a Cristo é forte.
Ah, mas a tentação é forte. Você fala assim: não, não sou cristão não. Eu era, mas não sou mais. Porque é pesado. É pesado você perder tudo. Entendeu? Aí Jesus fala assim: olha para mim, olha para mim e para aquilo que eu vou dar para vocês. Não temam o que vocês vão sofrer.
Eu conheço você, conheço a sua obra, a sua tribulação. Interessante que ele fala aqui no versículo 9, ele fala assim: conheço a tua pobreza, "mas tu és rico" (Apocalipse 2:9). Tu és rico. Você é pobre diante dos homens, você não tem nada material, mas tu és rico. Tu és rico no coração, porque vocês estão sofrendo pelo meu nome.
Então é isso que importa, né? Ser rico aos olhos de Jesus, não é ser rico aos olhos dos homens. Os homens olham uma igreja rica, né, vê lá, ó, que templo grande, né, que prédio grande. Mas essa igreja é rica para com Jesus? O que importa é o que ela é para com Jesus.
Inclusive essa questão aqui da pobreza das igrejas perseguidas é consequência da perseguição, porque tem lugares em que você não tem permissão nem de construir um templo. Você não é permitido construir um templo, colocar a placa ali: igreja não sei lá o quê, podem vir aqui ver o culto, é aos domingos às 9 horas da manhã, venham assistir ao culto.
Você não tem direito de fazer nada, não tem direito de distribuir folheto, não tem direito de construir templo, não tem direito de dizer para os outros assim em público que você é cristão, tem que ser tudo escondido. Então essas igrejas são pobres de verdade, não é igreja pobre que fala assim: ah, esse templo que a gente tem, ele é menorzinho, só cabe 50 pessoas, a gente é pobre em comparação à igreja que tem um templo que cabe mil pessoas.
Isso não é pobreza de verdade. Pobreza de verdade é você não poder ter um templo, porque é proibido construir templos. Tem lugares no mundo que você não pode construir um templo. Então uma igreja realmente pobre, perseguida, ela não tem templo. Eles se reúnem na casa uns dos outros, vai lá aquele grupo que cabe dentro de uma casa, se senta ali no sofá das pessoas e canta, ora, louva, prega a palavra, e é isso.
E se você quiser trazer um visitante, tem que pensar bem. Essa pessoa aí, será que ele não é um infiltrado aí? Esse cara que tá aqui se aproximando da gente não é uma pessoa que é do governo, querendo espionar a gente para entregar a gente para ser preso? Tem que ver quem é o visitante.
Tanto é que lá na época do Novo Testamento, as pessoas inventaram um sinal, que é o sinal do peixe. Ele tá aqui, um monte de pessoas conversando, aí do nada eu vou, escrevo lá na terra, faço um sinal do peixe assim, aí outro também faz, ou então eu faço só metade, só uma curva aqui. Aí vem o outro e faz a curva de baixo do peixe, ó, completando o desenho do peixe.
Ah, tá, então esse aqui também é cristão, porque tava escondido, tinha que camuflar, ele tinha que ter os seus sinais. E aí você, com muita dependência de Deus, com muita oração para mostrar para quem você pode falar a palavra ou não. Porque, dependendo da pessoa para quem você falar a palavra, ele vai te entregar para a autoridade, você vai ser preso e eles vão matar todo mundo.
Então, essa igreja perseguida de verdade — que não é as nossas, que não existe perseguição no Brasil. Perseguição de verdade é você não ter direito nem de construir um templo, de você nem distribuir um folheto na rua e te prenderem porque você botou aqui um folheto de cristão, você é um cristão.
Se você distribuir um folheto... hoje a gente pode fazer tudo aqui, a gente pode construir templo, pode distribuir folheto, pode falar para as pessoas que a gente é cristão. Igreja de verdade é tudo escondido, você não tem uma plateia para você pregar; uma igreja perseguida de verdade, você fala na conversa com um e com outro, que nem Jesus lá com a mulher samaritana, é um por um conversando.
E quando tem a reunião da igreja, é dentro de uma salinha com 5, 6 pessoas que cabem naquela sala. E aí a próxima reunião vai ser onde? A próxima reunião vai ser na casa do irmão tal. Aí na semana seguinte é na outra casa. Aí na outra semana, agora a reunião vai ser na casa do irmão tal. Aí a gente combina lá: tá marcado para o domingo que vem na casa do irmão tal. Na casa uns dos outros.
Não tem pregação em público, não tem pregação na praça, não tem microfone, não tem caixa de som, não tem nada. É você conversando uns com os outros. Essa é uma igreja realmente, nos lugares onde realmente existe perseguição, que vive assim.
Então a igreja é pobre, a igreja não pode ter nada, não pode possuir templo, não pode possuir banco, não pode possuir púlpito. Tudo o que a gente tem aqui como igreja, que a gente tem no nosso costume de ser igreja, nossa maneira de ser igreja, teria que ser totalmente diferente, que a gente nem consegue imaginar o que é isso, o que é uma igreja que realmente é perseguida, que realmente é pobre. Que eles só têm uns aos outros.
Eu tenho que conversar com você, e nessa conversa que é a nossa vida de crente, que é eu aconselhando você, você me aconselhando, a gente conversando como amigo, você indo na minha casa, indo na sua casa. Vamos na casa de fulano, acho que o fulano tá aberto aí para o evangelho. Fulano, ah, mas ele não vai entregar a gente não? Não, não vai entregar não, tenho certeza que ele não vai entregar a gente para ser preso não. Então vamos lá no fulano e tal.
Vai lá com muita oração, com muita dependência de Deus para pregar o evangelho para a pessoa lá. E ali dentro da sala, até os hinos eles cantam baixinho, tem que cantar baixinho. Não tem instrumento, não tem violão, não tem bateria, não tem nada. Canta os hinos baixinho, só a voz aqui, porque se cantar alto os vizinhos vão ouvir que tá cantando e vão entregar também para serem presos.
Então a igreja que é realmente perseguida, ela depende totalmente de Cristo, depende totalmente do Espírito Santo. É a igreja igual à de Esmirna aqui. E todo mundo olha para ela e diz: vocês são pobres. Mas Jesus disse: vocês são ricos, vocês são ricos, porque para mim vocês são ricos, porque vocês estão vivendo o reino na sua simplicidade, com aquilo que realmente interessa.
Tudo o que a gente constrói como igreja, que a gente criou, nossa tradição de como a igreja funciona, que tem que ter a parede, tem que ter o prédio, tem que ter os bancos, tem que ter o púlpito, tem que ter o microfone... Tudo isso aí, ele deveria ser apenas um instrumento para comunicar o evangelho às pessoas, que o importante é comunicar o evangelho.
Agora, comunicar o evangelho, como acontece nessas igrejas perseguidas, eu posso fazer só falando com as pessoas. Só que aí você dá a sua cara a tapa, é você olho no olho com as pessoas, não é você atrás de um púlpito ali com a roupinha bonita, a música e tal, e o ambiente, e a pessoa lá no banco, você falando o que você quer falar.
Não, cara, se você for hipócrita numa igreja perseguida, as pessoas vão perceber a hipocrisia rapidamente, porque não tem onde se esconder, não tem como você fazer uma máscara daquilo que você não é, você fingir ser uma coisa na igreja e ser outra coisa dentro de casa. Não, porque a igreja está na sua casa, então você não tem como esconder quem você é. Então essas são as igrejas perseguidas de verdade.
Então no versículo 8, Jesus fala assim, ó, Apocalipse 2:8: "Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu". Então ele lembra que eu estou no controle, eu estou no começo e estou no fim. Eu morri, mas eu ressuscitei. Eu tenho o poder da morte, tá nas minhas mãos.
Vocês também, vocês também estão nessa berlinda aqui, porque em igreja perseguida você pode morrer a qualquer momento. Mas como Cristo morreu e ressuscitou, eu que estou em Cristo, eu sei que eu posso morrer, mas eu em Cristo vou ressuscitar. Eu estou vivo com ele. A vida que ele tem está em mim.
Como diz o hino lá, né? "Porque ele vive, eu posso crer no amanhã... Porque ele vive, eu não temerei". Porque por causa da vida dele eu tenho vida também. E aí, "sê fiel até à morte"(Ap 2:10).
A igreja que entra na perseguição, a ela é colocado o desafio de retribuir a Cristo, que é assim, ó: Cristo morreu por mim, então eu também tenho que estar disposto a morrer por ele. É isso. E assim, não é mais aquela coisa de você usufruir do que Cristo te dá e aí você só recebe, só recebe, só recebe. Não. Se a igreja entrar na perseguição, você tem que estar disposto a dar também, dar sua vida e perder o seu emprego, perder seu dinheiro, perder seus bens, perder sua família, perder tudo.
PÉRGAMO
Apocalipse 2, a partir do versículo 12, fala da carta à igreja de Pérgamo. É a terceira igreja aqui das sete igrejas. Essa igreja de Pérgamo, como a maioria das igrejas ali, estava sendo perseguida, estava sendo perseguida. E Jesus se apresenta para ela como aquele que tem a "espada aguda de dois fios" (Apocalipse 2:12).
A gente viu na visão de Jesus em Apocalipse 1 que essa espada saía da boca de Jesus, ou seja, a palavra de Jesus é uma espada que discerne os corações. Então ele elogia, começa no versículo 13, elogiando que é uma igreja que não negou a fé ao ponto de entregar a vida.
Que teve uma pessoa lá daquela igreja, no versículo 13 fala: "Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós" (Apocalipse 2:13). Então chegou ao ponto de a perseguição tirar a vida de um daqueles membros daquela igreja, que é esse Antipas. Ele habita onde "Satanás habita".
Então o centro da perseguição estava ali em Pérgamo. Era um lugar de oposição feroz contra a Igreja de Cristo, onde o mundo estava se opondo àquela igreja. E aí não importa muito ainda se é só judeu, se também é romano, ou se são os pagãos. Quem for, quem for de fora, o diabo vai usar.
Como vai explicar depois lá em Apocalipse 12, que o diabo tem raiva do povo de Deus. Então ele usa as pessoas que não são povo de Deus para perseguir o povo de Deus. Na nossa teoria, a gente está colocando a data do livro lá para antes do ano 70. Então a perseguição maior é dos judeus contra os cristãos, antes do ano 70.
Depois é que vai começar uma perseguição maior do Império Romano, que ela começa só com Nero, a perseguição do Império Romano. Mas a gente vê também no livro de Atos que em alguns momentos tinha os pagãos perseguindo os cristãos pelo prejuízo que eles causavam, lá na cidade de Éfeso, em Atos 19.
E também Atos 16 conta que, pelo fato das pessoas estarem se convertendo a Jesus, isso enfraquecia os outros cultos, os cultos dos deuses deles, né? E então isso causava raiva nas pessoas que adoravam aqueles deuses porque estava diminuindo o número de pessoas frequentando aqueles cultos, e aí perseguiam os cristãos.
E aí a igreja de Pérgamo, ela representa uma igreja que sofreu a perseguição e sentiu o baque, sentiu o peso. Enquanto você tá vendo assim a perseguição como uma teoria, ah, é possível ser perseguido, a gente pensa assim, ah, será que eu vou ser fiel ou não? Aí quando bate na nossa porta a perseguição, aí a tentação é forte para a gente fraquejar na fé.
Então parece que depois que morreu Antipas, no versículo 13 fala que morreu uma pessoa de lá, o Antipas, eles enfraqueceram. Porque diz aqui no versículo 14: "Tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem. Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio" (Apocalipse 2:14-15).
O que quer dizer isso? Na hora que a perseguição bateu na porta da igreja e chegou ao ponto de matar um membro da igreja, eles começaram a fraquejar. Porque se eles participassem do culto, não seriam perseguidos.
Então alguns de lá da igreja de Pérgamo começaram a ensinar assim: não, gente, Deus entende o nosso coração, não tem problema a gente aqui só comer essa carne que foi sacrificada ao ídolo, que é para a gente salvar nossa vida. Porque, se a gente não participar desse culto, eles vão matar a gente. Então vamos só fazer uma reverênciazinha. Vamos só ali participar um pouquinho, dizer que a gente está lá, só para a gente não ser perseguido.
Então, isso é que é a doutrina dos nicolaítas, que assim como Balaão ensinou os filhos... o Balaque a colocar o tropeço, ou seja, induzir os filhos de Israel a participarem da idolatria, e aí eles se voltaram contra o próprio Deus, né?
Tem lá esse episódio aí de Balaque, chamava Balaão... é que, na hora que Balaão foi amaldiçoar o povo, ele não conseguiu. Ele falou: não, esse povo é bendito por Deus. Então, qual é a história posterior? É que Balaão falou assim: não, mas tem uma maneira. Se você fizer o povo pecar contra Deus, o próprio Deus vai castigar o povo. Aí o povo vai ser enfraquecido.
Então, isso lá no Velho Testamento, entre Moabe e Israel. Já que Balaão não conseguiu amaldiçoar Israel, faz Israel pecar, que aí Deus vai castigar Israel. E aí, então, já que tinha a igreja demonstrado a sua fidelidade se entregando ao martírio, que morreu o Antipas, então o diabo vai mudar a estratégia. Vamos fazer a mesma coisa que Balaão fez aconselhando Balaque, vamos fazer o povo pecar, que aí o povo se afasta de Deus.
Então a tentação é essa: você participar do culto pagão ali, que se você participasse você não seria perseguido. Veja bem, se você... vamos imaginar aqui hoje que você tem a sua profissão, você é um pedreiro, ou você é um agricultor, ou você é um artesão, você faz tecidos. Cada profissão tinha um clube, um clube dos profissionais, que chamavam de guildas. Era um clube das pessoas daquela profissão.
Então, para você exercer sua profissão naquela cidade, você tinha que fazer parte daquele clube. Só que esses clubes, eles tinham um patrono, tinha um deus, um ídolo que era o patrono daquele clube. Então o clube dos artesãos tinha um deus, o clube dos pedreiros tinha outro deus, o clube dos açougueiros tinha outro deus, o clube dos advogados tinha outro deus.
Cada um tinha suas reuniões e nessa reunião existia um culto àquele deus. Eles sacrificavam animais ali, faziam uma festa, acendiam incenso, faziam orações àquele deus. E, veja bem, você tem a sua profissão, mas naquela cidade, se você não participar daquele clube, você vai ser proibido de exercer a sua profissão.
E aí, como é que você vai dar o sustento para sua família se você não pode exercer sua profissão? É um problema sério para o cristão ali. E aí alguns deles começaram a falar: não, gente, Deus entende o nosso problema, Deus aceita que a gente participe. Então eles iam lá e participavam para não ser perseguidos.
Então Pérgamo representa uma igreja que está se conformando ao mundo para não ser perseguida. Tem igreja assim hoje? Claro que tem, um monte, né? Todas as igrejas do Apocalipse, o tipo de erro que ela comete é o tipo de erro que se repete hoje. Então a igreja de Pérgamo representa aquelas igrejas que aceitam falar a língua do mundo, aceitam as práticas do mundo para que o mundo as veja com bons olhos.
Elas fazem capitulações, elas abrem a guarda, elas baixam a guarda, elas abrem a porta para práticas do mundo para que o mundo goste dela, para agradar ao mundo. Isso aí é uma igreja como se fosse a igreja de Pérgamo hoje, uma igreja mundanizada. Uma igreja que está vivendo naquele jugo desigual, que lá Paulo avisa em 2 Coríntios 6: não se coloquem em jugo desigual ("Não vos prendais a um jugo desigual" - 2 Coríntios 6:14).
Você convive com as pessoas das outras religiões, você convive com as pessoas de outros valores, você trata elas bem, você prega o evangelho para elas, mas não ao ponto de você se colocar num jugo desigual. Porque tudo tem limite. Você ama as pessoas, você trata bem as pessoas, você fala de Jesus para elas, amém, tudo certo.
Às vezes até a pessoa é da sua família, a pessoa é a sua colega de trabalho, é seu vizinho, amém, tudo certo. Agora tem um limite aí. Qual é o limite? É quando ele te convidar: vamos lá comigo naquele culto? Aí você fala: não, aí eu não posso participar do culto, não. Aí tem limite, tem limite.
Lá em Tiago 4 fala: Deus, ele tem ciúme da gente ("O Espírito que em nós habita tem ciúmes" - Tiago 4:5). A gente é propriedade dele. Então, quando a Bíblia fala que Deus tem ciúme, não está falando à toa. Ele realmente é zeloso pelo que pertence a ele. Jesus Cristo é o nosso Senhor. Nós não podemos participar da reverência a outros deuses, da adoração a outros deuses. Tem limite aí.
Você convive com as pessoas de outras religiões, você trata elas bem, mas você não pode participar do culto delas. Quando elas te convidarem, você tem que dizer: não, não posso participar disso. Naquele caso ali do povo de Pérgamo, quando eles dissessem "não posso participar desse culto", haveria consequências para eles.
A gente também tem consequências. Às vezes, assim, é uma amizade que se enfraquece, às vezes é a relação com o seu familiar, seu pai, sua mãe, sua esposa, seu marido, sua filha, seu filho, seu irmão, sua irmã. A relação fica estremecida. Porque você diz: não, não posso participar disso aí. Haverá consequências, né? Tem um preço a se pagar.
Mas Jesus falou: "Qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:33). Falou ou não falou isso? E quando ele falou isso, ele também falou assim: é possível você ter que abandonar pai, mãe, esposo, esposa, filho, filha, irmão, irmã por causa do meu nome (Lucas 14:26).
É possível, é possível. Se o mundo mandar a gente escolher, ou a gente ou Cristo, ou você continua comigo ou com Cristo, ou você continua nesta casa ou Cristo. Você vai ter que dizer: não, Cristo, eu continuo com Cristo.
Esse preço aí tem gente que paga hoje, tem muita gente que paga hoje. Em uma família muçulmana, por exemplo, a pessoa tá lá dentro da família, você é filho de um pai muçulmano, você tá morando dentro daquela casa, você ainda é jovem, mas você se converte a Cristo. O teu pai vai falar assim: não, você ou nega esse Cristo ou você sai dessa casa.
E aí, você faz o quê? Tem que fazer. Não, tá bom, então eu saio dessa casa porque Jesus Cristo é mais importante para mim. Tem consequências, tem consequência de você ser fiel a Cristo. E aí Jesus fala o seguinte: vocês que estão fazendo essa junção com o mundo, tentando fazer uma síntese com o mundo, tentando se adaptar ao mundo, para vocês eu digo, no versículo 16: "Arrepende-te, pois, quando não, em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca" (Apocalipse 2:16).
Ou seja, a palavra de Deus, quando ela vier sobre você, não vai ter desculpa. Você não vai poder dizer para Deus assim: não, eu adorei lá, eu participei do culto idólatra lá porque tinha que ser, não tinha outro jeito. Tinha sim, você podia dizer não, podia não participar, podia não acender o incenso, você podia não participar lá da oração àqueles deuses lá, podia, podia, não tem desculpa.
Então não há concessão aqui, não há concessão. E aí, se for... Claro que é difícil, né? Ninguém vai dizer que não é difícil. No caso da situação lá do povo de Pérgamo, que eles poderiam perder o seu emprego, sua profissão, perder a sua renda. Claro que é difícil você dizer não.
Mas eles tinham que buscar a solução em Cristo. Eles tinham que colocar Jesus em primeiro lugar, realmente. Enquanto a nossa fé não é provada, é muito fácil dizer: eu sou de Jesus, sou de Jesus. Tem um momento em que a sua fé é provada, que você vai ter que dizer que é de Jesus mesmo, ao dizer não para o convite da idolatria. A idolatria vai te convidar, você vai dizer: não, não vou participar dessa idolatria. E aí virá perseguição. Perseguição vai vir quando você disser não para a idolatria.
TIATIRA
Quarta igreja, igreja de Tiatira, do capítulo 2, do versículo 18 até o final do capítulo, até o versículo 29. A igreja de Tiatira estava cometendo o mesmo erro da igreja de Pérgamo. Lá no versículo 20: "Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria" (Apocalipse 2:20).
"E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras" (Apocalipse 2:21-22). A igreja de Tiatira, ela era bem parecida com a de Pérgamo. Tá cometendo o mesmo erro.
E ela era uma igreja que tinha serviço, tinha amor, tinha obra, tinha paciência, uma igreja que ajudava os pobres, as pessoas se amavam uns aos outros. E o erro ali deles participarem, tal como a igreja de Pérgamo, participarem da idolatria, tinha um agravante, que o agravante era a liderança da igreja de Tiatira.
Porque na liderança estava uma mulher que se dizia profetisa. Então não é somente eles, como Pérgamo, pensando assim: ah, Deus vai ser misericordioso se a gente participar aqui da idolatria. Deus entende nossa necessidade. Nós precisamos participar desse culto aqui, senão a gente vai ser expulso da associação, da nossa profissão. Não vamos poder exercer nossa profissão, vamos perder nossa renda, nossa família vai passar necessidades e tal, tudo que acontecia em Pérgamo.
Só que ali tinha a líder da igreja, uma mulher aqui que provavelmente o nome não era esse, esse nome aqui Jesus está dizendo, chamando de Jezabel, porque ela era semelhante a Jezabel lá do Velho Testamento. Uma mulher que se dizia profetisa, então ela estava lá dizendo: não, Deus está me dizendo que pode, vocês podem ir.
Então, veja bem, você já está aí no caminho errado e tem um líder te empurrando para o erro, é pior ainda, porque você confia no seu líder. Então olha o grande problema de você ter uma igreja que tem uma liderança corrompida, e que essa liderança vai empurrar as pessoas para o erro.
Como Jesus fala, né? Se um cego guiar o outro cego, os dois vão cair no abismo (Mateus 15:14). Então tem uma liderança ali que se dizia profetisa. Então quando ele fala assim, se dizia profetisa, ele está dizendo que era uma profecia falsa. Profecia falsa.
A gente está aqui no momento, no finalzinho aí das revelações, está no livro de Apocalipse, e João está dizendo: a pessoa se diz profetisa, mas é profetisa falsa. Que o propósito das revelações que foram dadas no Novo Testamento, o propósito do dom de profecia no Novo Testamento, ele estava se cumprindo, já estava finalizando.
João, ele é o último, é o último apóstolo, tá se completando aqui no livro de Apocalipse. E quando termina o livro, João fala assim: ninguém pode acrescentar mais nada. Se alguém acrescentar alguma coisa, Deus vai acrescentar as pragas na vida dele (Apocalipse 22:18). Tá acabando as revelações, porque olha só o problema: você tem aí a doutrina dos apóstolos, já estava sendo registrada, já estavam circulando as cartas de Paulo, as cartas de Pedro, já as memórias dos apóstolos em formato já de evangelho estavam circulando.
Já está, o fundamento está sendo colocado. Não tenho que criar novas revelações, né? Porque aí, no criar novas revelações, a pessoa que recebe novas revelações, ela acha que ela está no poder ali. Aquilo sobe à cabeça da pessoa. Não, eu, eu que sou a revelação de Deus para vocês. Deus vai falar através de mim. Isso é um problema.
Ela tá quase que se colocando no lugar entre Jesus e os homens como mediadora, né? Mas tudo que Deus tinha que revelar, Deus já revelou em Jesus Cristo. A gente às vezes não fica satisfeito com o que tem aqui, né? Porque foi dado por meio de Jesus Cristo. E os apóstolos que Jesus escolheu registraram.
Então João, ele é um apóstolo de Jesus Cristo que registrou tudo que Jesus fez lá no evangelho dele. É que tá terminando a revelação no livro de Apocalipse. E enquanto ele tá fazendo isso, tem pessoas lá nas igrejas dizendo: nós estamos recebendo novas revelações. É um problema, né? É um problema isso aí.
Se for uma pessoa falsa, como essa mulher aqui, que, na verdade, ela própria participava daqueles cultos ali, ela própria participava daquela idolatria. Então por isso que ela dizia: não tem problema, pode participar aqui, eu também faço, eu sou a profetisa de Deus, eu tô participando, então vocês podem participar, tá entendendo?
Então o líder, o líder da igreja, se ele for uma pessoa corrupta, ele vai baixar o nível moral da igreja para o nível dele, porque ele vai dizer: se eu posso fazer, você pode fazer, né? Ele vai... como subiu à cabeça dele que ele seria um canal de Deus, um instrumento de Deus, o guia de Deus, ele vai descer para o nível moral dele.
Mas a Bíblia nos alerta que o nosso modelo não é você, não sou eu, não é o pastor fulano, não é o missionário sicrano, não é o professor sicrano. O modelo é Cristo. O modelo de todos nós é Cristo. Todos nós olhamos para Jesus como nosso modelo. Aí sim a gente tem para onde progredir. E aí sim, ninguém pode dizer que alcançou, né? Porque ninguém vai chegar no nível de Cristo.
O modelo é sempre Cristo. Quando você coloca como modelo outro ser humano, você pode alcançar, né? Porque chegar no nível do outro é fácil, mas no nível de Cristo ninguém chega, entendeu? Então, olha só o problema: essa mulher se colocou aqui como modelo, como profetisa, e no modelo moral dela podia participar da idolatria.
E não só isso, né? Tinha aqui pecados sexuais envolvidos aqui. No versículo 22: "Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras" (Apocalipse 2:22). Então o versículo 22 está dizendo que ela tinha uma vida imoral, essa mulher, ela tinha relações sexuais com membros da igreja.
Então ela própria não estava vivendo de uma forma moral. E aí, por ela ser profetisa, as pessoas pensavam assim: não, mas se ela é profetisa de Deus, ela diz que pode, então pode, então pode, então não tem problema, então não é pecado. Mas é pecado. Na Bíblia é exclusivo: ou você tá casado ou você não faz nada com ninguém. Se você não está casado, você não faz nada com ninguém. Só se você estiver casado, tem que casar.
Ele não perde a aliança, mas, você estando, você vivendo no pecado, você perde a comunhão com Deus. Você não ouve mais a direção de Deus na sua vida, você não tem mais aquele prazer, aquela alegria da salvação, não tem mais, não tá no seu coração.
Você vive aqui uma vida assim miserável, né? Você sabe que tem uma coisa errada na sua vida e você não consegue se consertar porque você se afastou de Deus. E é um vazio, né? Exatamente, vem aquela causa assim, você não era para estar ali, não é para estar ali. Então você, como cristão, se sente mal, vai viver aquela culpa, aquela coisa ali que você não resolve. Tem que resolver, tem que dar um basta no pecado para você se reconciliar com Cristo.
Falta de comunhão com Deus. Quando uma pessoa não tem comunhão com Deus, se você decidiu viver no pecado, a comunhão com Deus enfraquece até você se reconciliar com Deus. E a comunhão com Deus enfraquecendo, você mesmo vai perdendo a força para dizer não ao pecado. Então a tendência é o pecado aumentar na sua vida e vai ficando ali.
Agora olha só, no versículo 24 tem uma questão importante aqui: "Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei" (Apocalipse 2:24).
O que é que fala aqui, ó? Os que não têm essa doutrina, ou seja, tinha pessoa naquela igreja que não estava concordando com aquilo ali. Você se manteve fiel. Aí Jesus fala para as pessoas que se mantiveram fiéis, o remanescente: não, vocês, não vou te pedir, vou pedir mais nada a vocês, a não ser... não vou pedir mais nada a vocês.
A única coisa que eu peço a vocês é que se mantenham fiéis, que continuem como estão, certo? Não, tá certo, não se contamine. Então só de você não participar do pecado dos outros já tá certo. Tá bom, aqui está bom, não te boto mais dever acima disso. E isso tem uma questão aí, como, por exemplo, você tá numa igreja, tem muitas coisas erradas acontecendo, mas você se mantém puro, você não participa daquela coisa errada.
Então Jesus está vendo, está vendo quem é dele. Não precisa ficar lá brigando, né, confrontando, que ele não mandou eles se confrontarem. Ele disse que ele iria lidar com aquela pessoa que está vivendo no pecado. Ele próprio iria trazer um castigo se eles não se arrependessem.
Mas aqui tem outra questão, aqui, que eles, dessa doutrina, da doutrina de Jezabel, diziam que conheciam as profundezas de Satanás. Apocalipse 2:24. Isso aqui acende um sinal de alerta para a gente, que se tiver uma igreja que tenha essa ênfase aqui em receber novas revelações, se te reparar que essas revelações que a igreja recebe, essas profecias, estão sempre falando uma coisa do diabo.
E Jesus falou: não, você não tem que conhecer a profundidade de Satanás. Quer dizer, tem muito disso. Eles falam assim: ah, Deus me revelou que o diabo tá fazendo um laço na sua vida, mas Jesus cortou o laço. Aí fala para outra pessoa: ah, Deus me revelou que o diabo queria fazer isso e isso na sua vida, mas não vai fazer mais porque Jesus vai te proteger.
Sempre a revelação, suposta revelação, está falando sobre o diabo. Não é estranho isso? Por que que a revelação não é sobre Jesus, não é sobre o céu, não é sobre a salvação, sobre a santificação? É sempre o diabo isso, diabo aquilo, diabo...
Estranho, né? Porque quando você abre a sua brecha do seu coração para o misticismo, é possível você estar se interessando pelas coisas do diabo. Porque você simplesmente, você já começou, você não está se conformando com a palavra de Deus. Você acha que é pouco? Não, isso aí, esse livro aí é pouco, eu quero mais, quero a revelação de hoje, eu quero a palavra nova de hoje.
Você já não se conformou. E a palavra nova de hoje vai ser sobre o quê? Sobre o que que o diabo fez, o diabo não fez, o que que o diabo deixou de fazer. Aquele povo lá de Tiatira dizia que conhecia as profundezas do diabo. Mas por que você quer saber as profundezas do diabo? O que te interessa isso? O que vai te edificar na sua vida? Nada! Não vai edificar nada na sua vida.
Jesus falou: vocês não precisam saber disso. Vocês não têm que se interessar por isso. Você se interessar por isso já mostra que o seu coração está corrompido. Porque você não quer saber do diabo, você que é cristão mesmo, quer saber de Jesus. O que Jesus tem para mim? O que que Jesus é? Como é que eu posso servir melhor a Jesus? O que que Jesus quer da minha vida? Isso que você quer saber. Você não quer saber do diabo, o que o diabo fez, deixou de fazer.
Deixa aí, ó. O mundo espiritual é invisível. Você não pode ver os demônios e os anjos digladiando. Mesmo que a gente creia que exista batalha espiritual acontecendo, ela é invisível. Se Deus quisesse que a gente visse, Deus nos daria olhos para ver isso, mas nossos olhos não veem. Então, se os nossos olhos não veem, não nos interessa.
Nos interessa o que Deus revelou. O que Deus revelou está registrado aqui nessa palavra, nesse livro aí. Tudo que Deus quer que a gente saiba já está aí. Então não preciso saber que passou um demônio aqui, passou um anjo para lá, passou, teve uma guerra ali, um anjo com um demônio ali, às vezes espadas se batendo.
Não quero saber e não preciso saber o que fazer de Satanás. Eu preciso saber o que Jesus quer da minha vida. Como é que Jesus quer que seja a minha casa? Como é que Jesus quer que seja a minha família? Como é que Jesus quer que eu trabalhe na minha profissão? Como é que Jesus quer que eu trabalhe na minha igreja? Como é que Jesus quer que eu trabalhe na minha comunidade, na minha sociedade, no meu país? Isso que interessa, certo?
Então Jesus falou: não coloquei outra carga, eu não tô cobrando, não quero que vocês saibam disso, não precisa saber. Você precisa saber o que que eu revelei na minha palavra. No versículo 25: "Mas o que tendes, retende-o até que eu venha" (Apocalipse 2:25).
Entendeu? O que Jesus deu é suficiente para a gente. Não é nada além disso. Está claro isso? Então veja aí o problema daquela igreja de Tiatira. Eles queriam conhecer novas revelações, novas revelações, queriam saber as profundezas de Satanás. Jesus falou: não, não precisa. O que eu dei para vocês é suficiente.
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Catecismo Batista Ampliado. LOPES, M. (Org.).Versão 51 (14/06/2026), em edição.
TEXTO COMPLETO - https://bit.ly/CATECISMO-BATISTA-AMPLIADO
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Eclesiologia: Doutrina Bíblica da Igreja. LOPES, M. Versão 43 (18/04/2025).
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COLEÇÃO LOUVORES IA EM MP3 - https://drive.google.com/drive/folders/1QHVs4BoFuv3rvlAN_K4_F53_hnemo64r?usp=sharing
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BASE BÍBLICA DA RAZÃO DA FÉ : Complemento Biblico para a Razao da Fe
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